
O Caminho Português, também conhecido como
Caminho de Santiago de Compostela.
Só quando chegámos a Ponte de Lima, a nossa última paragem da viagem (para nós os três, pelo menos, antes de seguirmos diretamente para Lisboa para o John regressar a casa), é que finalmente descobrimos uma história tão fascinante.
Atravessámos a antiga ponte romana medieval e estávamos simplesmente a admirar a igreja do outro lado da ponte, quando avistámos uma velha pedra gravada mesmo em frente à igreja. No entanto, a inscrição não era muito legível, por isso continuámos o nosso caminho.
Prosseguimos até que mais tarde soubemos que se tratava de uma aldeia diferente chamada Arcozelo, e algumas ruas depois da ponte vimos uma fila das mesmas pessoas que íamos encontrando ao longo da nossa viagem.
Todas elas, cerca de seis pessoas, estavam à espera em frente a uma pequena loja.
Curiosos para perceber o que se passava, perguntámos a uma das mulheres presentes a razão daquela fila e daquela espera.
Acabou por se revelar que estavam à espera para carimbar o seu pequeno caderno com o “selo” (o carimbo) e, como ainda não compreendíamos o significado de tudo aquilo, essa simpática senhora ofereceu-nos então uma explicação muito detalhada e, além disso, contou-nos a razão pela qual fazia o Caminho.
É engraçado ver como as coisas acabam sempre por se encaixar, mesmo sem nos apercebermos disso.
Alguns anos mais tarde, aqui estamos nós, a receber em nossa casa peregrinos de todo o mundo a caminho de Santiago de Compostela.
Do meu ponto de vista, era impossível que não nos envolvêssemos numa aventura tão incrível. Assim, receber peregrinos em nossa casa, sentarmo-nos à mesa para partilhar uma refeição e um copo de vinho, e ouvir atentamente todas essas histórias é, para nós, a forma mais próxima de “fazer o Caminho”.
Até breve, por agora
